terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Enfermeira do Samu faz campanha contra registros de imagens em locais de acidentes


É preciso uma ampla campanha de divulgação para que as pessoas deixem de colher imagens de acidentes e situações de vítimas para expor as mesmas nas redes sociais, simplesmente para mostrar que estão naquele local, sem se preocupar com quem está sofrendo com a situação ou já morreu. É um desrespeito total para com o ser humano, como afirma Crislaine Nascimento de Assis Paes, enfermeira assistencial no SAMU Regional de Jales e de Fernandópolis com pós-graduação em Urgência e Emergência e em Obstetrícia que está liderando um movimento contra esses registros.

Crislaine explica que qualquer pessoa tem celular com câmera fotográfica e filmadora, mas nesses casos, o que a grande maioria não sabe é que publicar fotos sem consentimento da vítima e do profissional que está atendendo é crime. O problema é que os profissionais do serviço de atendimento pré-hospitalar móvel vivenciam diariamente, nesses locais situações em que curiosos acabam interferindo no trabalho, fotografando e filmando situações em que as vítimas não têm escolha, sem importar com a dignidade das mesmas. E o que é pior: quanto mais chocante a situação, mais essas imagens são exploradas. 

MORBIDEZ - A situação de morbidez e falta de solidariedade muitas vezes chega aos extremos, com pessoas fazendo selfies na frente de vítimas ou veículos destruídos. Crislaine disse que ficou chocada com uma cena que nunca esquece, de um rapaz segurando a cabeça do pai todo ensanguentado, com ferimentos muito graves, dentro de um carro e várias pessoas fotografando e filmando, sem preocupar em ajudar ou conversar com o rapaz desesperado que aguardava a ambulância. Ninguém está preocupado com os familiares que vão ver as vítimas naquela situação desesperadora, como afirmou.

Crislaine descreve a seguinte situação: imagine você e sua família sofrer um acidente e ficarem presos nas ferragens, conscientes e sem poder fazer nada para chamar ajuda. Você vê pessoas chegando e passa a ter esperança de que tudo vai ficar bem. Você pensa que essas pessoas irão acionar os serviços de atendimento, mas as pessoas vão se aproximando só para filmar ou fotografar a sua situação e postar nas redes sociais. Infelizmente, como afirma, é o que sempre acontece nos atendimentos em residências, nas vias públicas, no comércio e até em estabelecimentos de saúde.

DIREITOS - A enfermeira do Samu explica que a pessoa que for vítima de exposição de imagens em redes sociais sem sua autorização deve registrar queixa na  Polícia para apuração, identificação da autoria e produção de provas para uma ação penal contra o acusado. Para isso é preciso guardar todas as provas, tirando print das telas, fotos e imprimir todo o material possível. Também pode acionar o telefone 181, (São Paulo) e o 100 (nacional). Ela lembra o Artigo 5º da Constituição Federal onde afirma que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

Além de todos esses problemas, existem outros, como o risco para as próprias pessoas que estão colhendo as imagens que também podem se acidentar, caindo de barranco ou sendo atropelada, como já aconteceu. Isso sem contar que muitas vezes atrapalham o serviço dos socorristas. Tem ocasiões em que a equipe precisa sair com a vítima fora da cena do acidente para fazer alguns procedimentos de emergência longe dos curiosos.

Gislaine destaca que esse é um problema que afeta todo o trabalho das equipes, não só no Brasil, mas no mundo.. Ela lembra que na Alemanha já está em andamento uma campanha nacional sobre o mesmo problema, alertando as pessoas para o fato de que registrar imagens de pessoas em situação de vulnerabilidade é ilegal, sujeito a punição.   

Fonte: Jornal de Jale / SP.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Após decisão do STF, prisão domiciliar pode ser concedida a quase 500 detentas em Pernambuco


Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça (20), de conceder prisão domiciliar a presas sem condenação que estejam gestantes ou sejam mães de filhos de até 12 anos, até 499 detentas podem se beneficiar da medida em Pernambuco. De acordo com a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), o perfil de cada reeducanda será analisado para confirmar se elas têm direito à concessão. O dado local foi divulgado pela pasta nesta quarta (21).

Na capital pernambucana, a Colônia Penal Feminina do Recife é a unidade prisional com maior número de mães de crianças de até 12 anos. Das 679 detentas, 312 têm filhos com a idade citada pelo STF, o que equivale a 45,9% do total. Há, ainda, sete lactantes e nove gestantes entre as presas.

No Agreste, a Colônia Penal Feminina de Buíque tem 98 detentas presas provisoriamente são mães de crianças menores de 12 anos dentre as 287 internas da unidade prisional. No local, também estão encarceradas seis gestantes e duas mulheres em período de amamentação.

A Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima, no Grande Recife, tem, entre as 415 mulheres, três mães de crianças menores de 12 anos. Não há gestantes ou lactantes na unidade, segundo a Seres.

Segundo o secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, o número de presas no estado a serem contempladas pela decisão do STF tende a cair. "Os juízes de execução penal vão avaliar, junto à Defensoria Pública, quais as reeducandas que se enquadram nas exigências feitas pelo STF. Após a soltura, as detentas serão monitoradas por tornozeleiras eletrônicas ou por outra medida restritiva, a depender da avaliação", explica.

Entenda a decisão - O julgamento, feito na terça (20), se baseou em um pedido apresentado pelo Coletivo de Advogados em Direitos Humanos (Cadhu), apoiado por diversas entidades humanitárias e defensorias públicas. Na sessão, as entidades apontaram condições degradantes a que os filhos das presas são submetidos quando nascem e são criados em uma cadeia, argumentando que o encarceramento não pode se estender a eles.

De acordo co o STF, prisão domiciliar não é permitida a mulheres já condenadas e que cumprem pena e também àquelas que, mesmo sem condenação, são suspeitas de crimes praticados com violência ou grave ameaça, contra os próprios filhos ou em situações "excepcionalíssimas", a serem justificadas pelo magistrado que negar o benefício.

Fonte: G1-PE


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Barragem do Prata atinge 82,4% do volume total após chuvas, diz Compesa


A barragem do Prata atingiu 82,49% do volume total, o que equivale a 34,64 milhões de metros cúbicos de água, após as chuvas registradas na região no sábado (17) e domingo (18). Em julho do ano passado, o reservatório verteu.

O manancial está localizado em Bonito, no Agreste de Pernambuco, e abastece 10 municípios pelo sistema Prata/Pirangi: Agrestina, Altinho, Caruaru, Cachoeirinha, Cumaru, Ibirajuba, Passira, Riacho das Almas, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama.

De acordo com a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), o reservatório tem capacidade para armazenar 42 milhões de metros cúbicos de água.

Sobre Jucazinho

Em relação à barragem de Jucazinho, que fica em Surubim, também no Agreste, a Compesa informou que as chuvas na região não foram suficientes para que houvesse acúmulo de água no local. O manancial está em colapso desde setembro de 2016.

Leia também : Em maio ano passado, as chuvas da região também não foram suficientes para alterar o volume de Jucazinho.

Fonte: G1 PE.