segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

PSB oficializa deputado federal Danilo Cabral como pré-candidato ao governo de Pernambuco em 2022


O PSB oficializou, nesta segunda-feira (21), o nome do deputado federal Danilo Cabral como pré-candidato ao governo de Pernambuco nas Eleições 2022. O anúncio ocorreu em uma solenidade realizadano Recife Praia Hotel, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana.

No terceiro mandato como deputado federal, Danilo Cabral é advogado, tem 54 anos e também já foi vereador do Recife. No dia 11 de fevereiro, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, havia confirmado, no Twitter, que Cabral seria o pré-candidato, mas apagou a postagem e, depois, republicou a mensagem.

Mesmo com a publicação do presidente nacional do partido, o diretório estadual, presidido pelo atual secretário de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude de Pernambuco, Sileno Guedes, adiou até esta segunda-feira (21) o anúncio oficial da pré-candidatura de Danilo Cabral.

Natural do município de Surubim, no Agreste de Pernambuco, Danilo Cabral se licenciou do mandato de deputado federal, entre os anos de 2012 e 2014, para exercer o cargo de secretário das Cidades na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB).

Em 2015, ele licenciou-se novamente para ser secretário de Planejamento e Gestão, na gestão de Paulo Câmara (PSB). Reassumiu o cargo de deputado federal em maio de 2016, numa mobilização nacional do PSB para votar a favor do impeachment de Dimla Rousseff,, aprovado na Câmara com 367 votos.


Se eleito, Danilo Cabral dará continuidade a uma sequência de 16 anos do PSB no comando do governo. Em seu discurso, Danilo Cabral criticou a privatização de estatais, como da Eletrobrás e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), e fez críticas a Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “pior presidente da história”.

“Nós vivemos hoje a mais dura crise da história republicana, um conjunto de crises que se abateu sobre o mundo, de forma mais perversa sobre o Brasil. Uma crise sanitária que já levou mais de 60 mil vidas”, afirmou.

Ao falar sobre a aliança nacional do PSB com o PT (entenda mais abaixo), Danilo Cabral disse que Pernambuco “sente saudade” de Lula e criticou o tratamento dado ao Nordeste por Jair Bolsonaro e pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), que assumiu a presidência após o impeachment de Dilma Rousseff, apoiado por Danilo Cabral e pelo PSB..

“Pernambuco perdeu muito fruto da perseguição, da discriminação, do ódio que resultou da relação do governo federal com o Nordeste e com Pernambuco. Foi assim no governo Temer, foi assim no governo Bolsonaro. Nós precisamos de um reencontro com a esperança do povo de Pernambuco”, declarou.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que ficou muito feliz quando Paulo Câmara anunciou que Danilo Cabral, até então líder do PSB na Câmara dos Deputados, seria o candidato à sucessão. Ele disse, ainda, que a parceria com o PT retoma uma tradição de décadas da Frente Popular de Pernambuco, usualmente liderada pelo PSB.

“Essa escolha representa não só a sua história pessoal, isso representa a história de uma frente política que remonta à década de 60, que já contribuiu a Miguel Arraes, Eduardo Campos, Pelópidas Silveira e tantos outros”, declarou. Ele também reafirmou que o PSB fará parte da base do PT na candidatura do ex-presidente Lula. “Estaremos juntos em todo o país em torno de Lula presidente da República”, disse. 


O governador Paulo Câmara afirmou que o projeto político do PSB, em união com o PT e demais partidos da Frente Popular, é “diferente do que a gente vê por aí”, sem interesses e ambições pessoais.

“O que nos reuniu e que continua nos reunindo não foi conveniência, mas a consciência de que Pernambuco precisava continuar a andar para frente. A Frente Popular de Pernambuco está novamente reunida. Quero dizer a todos os partidos aliados o meu muito obrigado por estar aqui hoje e por terem me legitimado a conduzir esse processo”, declarou.

“Danilo tem experiência no Parlamento e no Executivo, mas tem, sobretudo, além da capacidade já testada e aprovada, a sensibilidade social, os princípios que a Frente Popular sempre defendeu. E nós precisamos muito dessa união de virtudes que faz a união de pessoas”, afirmou. 

Paulo Câmara também afirmou que, apesar de se tratar de uma candidatura estadual, é preciso olhar para o cenário nacional, citando, novamente, a aliança com o PT em prol da candidatura de Lula

“O presidente Lula é uma referência mundial. É reconhecido em todos os lugares como política nacional. Diferente do que está aí. Ele orgulha o Brasil. É um símbolo de diálogo e respeito e combate às injustiças que ele mesmo precisou combater quando foi presidente da República”, disse.

Também participaram do evento o deputado federal e pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSB); o senador Humberto Costa (PT); e a vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB). 

Estiveram presentes, ainda o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Eriberto Medeiros (PP); o deputado federal Carlos Veras (PT) e a deputada estadual Teresa Leitão (PT); além do prefeito do Recife, João Campos (PSB); e do antecessor dele no cargo, Geraldo Julio (PSB)


Aliança entre o PT e o PSB

O anúncio de Danilo Cabral como pré-candidato ao governo do estado foi feito após um longo imbróglio devido à costura de alianças locais e nacionais com o PT, que chegou a anunciar o senador Humberto Costa como candidato, mas desistiu a fim de facilitar uma parceria nacional e viabilizar a candidatura do ex-presidente Lula (PT).

Em entrevista, Lula afirmou que a retirada da candidatura de Humberto Costa era um "gesto político" ao PSB, já que o Partido dos Trabalhadores pretende lançar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como candidato ao governo paulista.

O principal impasse é o interesse do PSB em lançar candidato prórpio, a exemplo do ex-governador Márcio França ou, ainda, do também ex-governador Geraldo Alckimin, que está sem partido, mas é apontado como principal pré-candidato à vice presidente numa chapa com Lula.

Entre as duas siglas, também é discutida a possibilidade de uma federação partidária, que promove a união de partidos para atuar de maneira unificada por um período mínimo de quatro anos.

Esse mecanismo entrou em vigor na reforma política aprovada em 2021, na qual foram excluídas as coligações, que, muitas vezes, ocorriam entre partidos sem a mesma ideologia partidária, somente devido a fins eleitoreiros.

Do G-1 PE.