sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Paulo Câmara visita aliados de Surubim e região com Plano de Retomada. “Em cinco anos, nunca recebi um telefonema do governador”, afirma Raquel Lyra (PSDB)


O governador Paulo Câmara estará nesta sexta-feira (03.12) e no sábado (04.12) visitando Surubim e outras cidades do Agreste Setentrional, para anunciar ações do Plano de Retomada do governo do estado. A agenda inclui visita apenas aos municípios comandados por prefeitos aliados ao palácio das Princesas: Vertente do Lério, prefeito Renato Sales (MDB); Surubim, prefeita Ana Célia Farias (PSB), Cumaru, prefeita Mariana Medeiros (PP); Frei Miguelinho, Adriana Assunção (PSB); e Santa Maria do Cambucá, Nelson Sebastião (PSB). A agenda não inclui municípios com prefeitos não alinhados com o governo do estado, a exemplo de: Casinhas, Juliana de Chaparral (Dem); Vertentes, Romero Leal (PSDB); e nem mesmo a João Alfredo, cujo prefeito, José Martins, embora seja do PSB, é ‘persona non grata’ no Palácio.  

Recentemente em Surubim, a prefeita de Caruaru e possível candidata ao governo do estado, conversou com nossa reportagem e destacou que o governador Paulo Câmara não trata os municípios com a mesma atenção. De acordo com a tucana, Paulo Câmara prioriza as cidades comandadas por prefeitos partidários dele. “Durante esses cinco anos que sou prefeita de Caruaru, nunca recebi um telefonema do governador Paulo Câmara para saber como minha cidade estava, nem na pandemia, nem na greve dos caminhoneiros, muito pelo contrário. Sempre que busquei, houve uma reação muito forte, contrária, inclusive. Pra que a gente conseguisse levar combustível para Caruaru na época da greve dos caminhoneiros, eu tive que entrar com medida judicial, porque a escolta só se dava para Recife, e eu precisava de escolta da PM para levar combustível a Caruaru. Eu recebi a solidariedade dos outros prefeitos, de cidades pequenas, como do de Alagoinha, que levou pra gente gás de cozinha, porque a gente precisava manter os hospitais funcionando, e todo mundo sabe que o atendimento”, afirma.

De acordo com a prefeita, Caruaru tem obras paradas há sete anos, ou desde que o pai dela deixou o governo e Paulo Câmara assumiu. O ex-governador João Lyra, era vice e assumiu o cargo após tragédia com Eduardo Campos. Raquel Lyra cita que em Caruaru, só nos últimos cinco anos, o batalhão da PM de Caruaru teve redução no efetivo de 150 militares, sem substituição, comprometendo a segurança pública. “Em Caruaru por exemplo, o hospital da mulher de Caruaru está com a obra parada desde que meu pai saiu do governo, em 2014, são sete anos, e toda vez que tem um processo eleitoral, eles vão pra lá dizer que vão recomeçar a obra. Quantas vezes a PE-90 também não foi objeto de sua duplicação? A questão da segurança pública tem sido preocupação especialmente nas cidades pequenas e na região Metropolitana. Mas já começa também, a questão dos assaltos, a ser muito relevante nas cidades de médio porte. Em Caruaru, essa já é uma realidade. A gente tem um problema que é da diminuição do efetivo da Polícia Militar. Lá, são bravos guerreiros que todo dia cumprem sua missão, mas há quatro, cinco anos atrás, tinha uma situação no batalhão de Caruaru de, pelo menos, cento e cinquenta homens a mais, e isso faz falta na vida da população”, diz.

SURUBIM: Para exemplificar o tratamento diferenciado para os municípios comandados por aliados, a prefeita de Caruaru cita Surubim, comandada pela socialista Ana Célia Farias. Raquel Lyra disse que o governo Paulo Câmara pagou o dinheiro do Fundo de Participação do Municípios à prefeita do PSB, mas repassou apenas R$ 400 mil dos R$ 5 milhões previstos para Caruaru. De acordo com a prefeita, o estado deve a Caruaru R$ 20 milhões da saúde básica. “Se deve o Fem a Caruaru. Aqui em Surubim, o Fem foi pago. Aquele recurso, que tava prometido, de uma parcela extra do FPM, que deveria ter sido pago, o estado não pagou, escolheu a quem pagar. Aqui em Surubim pagaram, em Caruaru, não pagaram. Pagaram agora, o que deveria ser R$ 5 milhões, pagaram R$ 400 mil. Queria fazer um projeto grande, diminui para uma rua. Esse dinheiro tem que chegar à população pelos municípios... O governo do estado deve a Caruaru, e não é uma realidade diferente nos outros municípios mais de R$ 20 milhões de atenção básica, do dinheiro que deve pro Samu, de medicamento. Esse dinheiro poderia tá sendo utilizado pra gente fazer novas frentes de trabalho, abrir novas unidades de atenção básica... e eu não estou deixando de oferecer o serviço à população, muito pelo contrário, nós estamos ampliando os serviços”, pontua.

Ainda citando como exemplo Surubim, Raquel Lyra diz que o alinhamento político da prefeita, no entanto não garante a execução de obras estruturadoras, essenciais ao desenvolvimento desta região do Agreste Setentrional. “Aqui nós temos uma prefeitura aliada e mesmo assim continua sem água. Toda vez que tem um movimento eleitoral aqui, se lança uma nova ordem de serviço ou uma carta de intensão para duplicar a PE-90, para integrar o polo de Confecções do Agreste, que é o quarto maior do interior. Então, quer dizer que não é porque se trata de um aliado político ou de oposição, do ponto de vista eleitoral. O que mais deveria ser feito, a partir do momento em que não há eleição é discutir as cidades e conseguir construir com elas as soluções que as regiões precisam”, defende.

A prefeita de Caruaru afirma que o governo deve tratar os municípios de maneira igualitária agora, com o Plano de Retomada do estado, para que os prefeitos possam implantar ações para melhoara a vida das pessoas. “Precisa entregar a todos. E se agora estão dizendo que tem o dinheiro, e se antes não tinha, que se entregue os recursos que estão devendo aos municípios. A Caruaru, tão falando em valor nominal da época de 2016, 2017, 2018... o que se deve do Samu Regional, e a gente não parou o serviço, lá em Caruaru a gente atende cobrindo o dinheiro do estado e o dinheiro do município. Não é justo isso, porque eu deixo de servir ao povo de outro jeito, ampliando serviços que temos lá agora. Então, são mais de R$ 20 milhões que o estado deve ao município. Se agora tão dizendo que tem R$ 4 bilhões para investimento, que invista no estado, que pague o que deve aos municípios e permita que a gente possa chegar ainda mais perto da vida do nosso povo”, cobra.

Com a palavra, caso queira, o governo do estado.

Da redação, Alberico Cassiano.