sexta-feira, 25 de junho de 2021

Lula seria eleito no primeiro turno se eleições fossem hoje, segundo Ipec


Está explicado em nova pesquisa por que o presidente Bolsonaro anda cada vez mais nervoso e radical, xingando a imprensa e tirando máscaras da boca de crianças. 

Lula tem mais do que o dobro (49% a 23%) de intenções de voto que Bolsonaro e venceria as eleições de 2022 no primeiro turno, segundo levantamento do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), novo instituto dirigido por Marcia Cavallari (ex-Ibope).

É um cenário semelhante ao de 2018, quando Lula liderava todas as pesquisas, até ser preso pela Lava Jato e arrancado da eleição por um golpe jurídico-militar liderado pelo general Villas Bôas, em parceria com os tribunais superiores.

Esse é um resultado já esperado, com a crescente queda de popularidade de Bolsonaro, aferida pelo mesmo instituto, agora com apenas 23% de aprovação, na mesma semana em que o Supremo Tribunal Federal confirmou a anulação dos processos de Lula e a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. 

A grande novidade da pesquisa é que Lula tem mais intenções de voto do que todos os adversários somados e lidera até mesmo entre o eleitorado evangélico, em que vence Bolsonaro por 41% a 32%. Entre católicos, a vantagem é bem maior: 52% a 20%. 

Segundo a pesquisa, Lula lidera com folga em todas as regiões do país, faixas etárias e de renda.

No Nordeste, tradicional reduto petista, Lula chega a 63% das intenções de voto, 48 pontos percentuais à frente de Bolsonaro, o que explica as constantes viagens do atual presidente para a região. 

No Sudeste, onde se concentra o maior número de leitores, o ex-presidente tem 47%, e o atual, 24%. A diferença é menor na região Sul (35% a 29%). 

A léguas de distância, aparecem os outros candidatos. Ciro Gomes, com 7%, está tecnicamente empatado com João Doria (5%). O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, um dos nomes da "terceira via", aparece com 3%. 

Bolsonaro só vence nos índices de rejeição: tem 62% contra 36% de Lula.

A pesquisa presencial foi a campo entre os dias 17 e 21 de junho, ouvindo 2002 pessoas em 141 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%. 

Na comparação com o último levantamento, em fevereiro, o índice de reprovação (ruim/péssimo) do governo Bolsonaro subiu 11 pontos percentuais, chegando a 50%. Apenas 23% dos entrevistados consideram o governo ótimo/bom, uma queda de cinco pontos percentuais. 

Todos os números foram negativos para Bolsonaro: 66% não aprovam a sua maneira de governar e 68% responderam não confiar nele. 

A 16 meses das eleições, tudo ainda pode mudar, é claro, mas em todas as pesquisas divulgadas este ano a curva de Lula sobe na mesma proporção em que a de Bolsonaro desce. É o que os pesquisadores chamam de "abertura da boca do jacaré". 

E, por enquanto, só o presidente está em campanha nas ruas. Vida que segue.

Do Uol, Ricardo Kotscho.