quarta-feira, 2 de junho de 2021

Fechamento do comércio no Agreste é discutido em audiência pública


O fechamento do comércio no Agreste do Estado, em razão do agravamento da pandemia de Covid-19, foi debatido em audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Alepe nesta quarta.  A restrição do funcionamento das atividades econômicas, na região, foi implementada há uma semana, no dia 26 de maio, e teve sua prorrogação até o dia 13 de junho comunicada pelo Governo do Estado na tarde desta quarta.

A secretária Executiva de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Ana Paula Vilaça, explicou que a imposição de medidas restritivas no Agreste é justificada pelo aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave e da ocupação de UTIs e leitos na região.

Então a gente observa que, em março, abril, começou essa alta, essa crescente, que foi quando acendeu esse sinal de alerta pra gente de que novas medidas precisavam ser tomadas. E aí passamos os meses de março, abril e maio e agora, já entrando em junho, com medidas pontuais, cirúrgicas, por região, então a gente tenta conciliar os interesses sociais e econômicos com as medidas restritivas. Então fecha primeiramente só final de semana, faz restrição de horário durante a semana, até chegar ao que o Agreste está vivendo hoje, que é, digamos, esse fechamento quase que total por conta desses números”.

A secretária ainda observou que a capacidade de ampliação do atendimento em UTIs é limitada por diversos fatores, e reforçou que as decisões sobre o funcionamento da economia são tomadas de forma colegiada, com a escuta dos setores envolvidos e atenção às características de cada atividade.

Já os representantes do empresariado agrestino argumentaram em favor da reabertura das atividades, em especial por considerar que, na prática, o setor formalizado da economia é prejudicado enquanto as pessoas migram para o comércio de rua, que não atende a critérios sanitários. Representando a Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, Luverson Ferreira resumiu as propostas do grupo.

Os empresários pedem, responsavelmente, que seja retomada a atividade econômica a partir de segunda-feira. O remédio da pandemia, está parecendo, em Pernambuco, que é apenas fechar comércio, apenas fechar a economia. Não é. Divisão de horário, como a gente fala na carta; colocar as atividades, indústria, serviço e comércio em horários separados; diluir academia de ginástica, para funcionar até mais tarde, para diminuir a quantidade de pessoas por metro quadrado; o funcionamento de shoppings, que são lugares, garantidamente, pelo próprio André Longo (…) se surpreendeu como os shoppings são ambientes seguros”.

Em nome da Associação Pernambucana dos Atacadistas Têxteis, João Cândido da Costa Filho alertou que a desorganização da cadeia produtiva e comercial calçadista tem impacto muito negativo para a região, pois cerca de 300 mil pessoas dependem da renda gerada por ela. O comerciante ainda descartou a oferta de mais crédito como solução, pois, segundo ele, empresários já estão endividados e dependem da reabertura das atividades para pagar empréstimos anteriores.

Em resposta, a secretária Ana Paula Vilaça argumentou que as medidas tomadas pelo Governo não se restringem ao fechamento do comércio e que há a expectativa de que, com o resultado do reforço do isolamento, o avanço da vacinação e a abertura de novos leitos, ocorra uma melhora do quadro sanitário ainda no mês de junho.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento, deputado Delegado Erick Lessa, do PP, fez um apelo para que as demandas e sugestões do comércio sejam consideradas pelo Governo do Estado.  “Claro que queríamos que as atividades econômicas fossem retomadas já no dia 7 de junho. Lembrando mais uma vez, as atividades no Polo de Confecções são oito horas, em apenas um dia da semana”.

O parlamentar ainda informou que uma nova audiência será realizada para aprofundar o diálogo entre o setor privado da região Agreste e a Secretaria de Desenvolvimento do Estado.

Imagem: reprodução / Google.
Da Rádio Alepe.