quinta-feira, 24 de junho de 2021

"É estarrecedor: 400 mil vidas perdidas para covid-19 poderiam ter sido poupadas no Brasil", diz estudo


O ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Halall afirmou na sessão da CPI da Covid do Senado, nesta quinta-feira(24), que 400 mil vidas perdidas para covid-19 poderiam ter sido poupados no Brasil, se medidas de controle da pandemia, a exemplo de uso de máscara, estimular isolamento social e vacinação em massa.

"É um dado estarrecedor: o país tem 2,7% da população mundial e, desde o começo da pandemia, o Brasil concentra praticamente 13% das mortes por covid no mundo. Portanto, podemos afirmar que 4 de cada 5 mortes no Brasil são em excesso, considerando o tamanho da população. Ontem (23.06), uma em cada três mortes por covid no mundo foi no Brasil. Desde o começo da pandemia, a média de mortes por milhão no Brasil é de 2.345, enquanto, no mundo, é de 494. É uma análise anterior que chega na mesma conclusão. Quatro de cada cinco mortes teriam sido evitadas se estivéssemos na média mundial. Não é se estivéssemos com um desempenho maravilhoso como a Nova Zelândia, a Coreia [do Sul] e o Vietnã. Se estivéssemos na média mundial - um aluno que tira uma nota média - teríamos poupado 400 mil vidas no Brasil", afirmou.

O epidemiologista lembrou que o estudo apresentado pela médica Jurema Wenwck, que depôs juntamente com ele, afirmando que no primeiro ano da pandemia, 120 mil vidas perdidas para a covid-19 poderiam ter sido evitadas, se uma política efetiva com medidas não farmacológicas tivesse sido implementada" "trazem dados até março de 2021". 

"Vamos lembrar que a maioria das mortes no Brasil ocorreu depois disso, e não considerou, na análise da doutora Jurema, porque não tinha essa informação à época, o atraso do Brasil na compra das vacinas. Nós fizemos uma análise que estimou, que, especificamente no atraso da compra da Pfizer e da Coronavac resultou em 95.500 mortes. E logo depois, outros pesquisadores, usando método mais robusto, que o nosso, porque eles analisaram o ritmo da vacinação, caso tivéssemos adquirido essas vacinas, e eles estimam em 145 mil mortes especificamente pela falta de aquisição das vacinas tempestivamente pelo governo federal", disse.

O cientista disse que o negacionismo do presidente da República está relacionado com as mortes. "O Brasil é um dos piores países do mundo na resposta à Covid-19, e não há outra justificativa, se não a postura ante ciência adotada no país. A principal personalidade responsável por propagar mensagens ante ciência não foi nenhum dos quatro ministros da Saúde, a responsabilidade é diretamente o presidente da República". 

O ex-reitor coordenou o estudo do Epicovid, da Universidade de Pelotas, um dos mais completos sobre a pandemia no Brasil, realizado em 133 cidades, incluindo municípios do interior, financiado pelo ministério da Saúde. O cientista disse que quando foi apresentar os resultados no Palácio do Planalto foi censurado, sendo informado quinze minutos antes, que o slide com dados que a pandemia afetava mais negros o povos indígena não estava disponível para a apresentação. De acordo com o cientista, o estudo Epicovid, que custou R$ 12 milhões, foi cancelado pelo então ministro Pazuello, que em seguida lançou o semelhante ao PrevCov, sem incluir o interior, porém ao custo de R$ 200 milhões.

Ainda de acordo com o infectologista, o país precisa adotar duas medidas urgentes para conter a pandemia: "vacinar 1,5 milhão por dia. Lockdown de verdade, o país nunca fez. Temos que parar integralmente o país inteiro por três semana, para reduzir a transmissão e colocar os números no chão. Nós aí iremos encontrar luz no fim do túnel", frisou.

Da Redação, Alberico Cassiano.