quarta-feira, 16 de junho de 2021

CPI quebra sigilos de Wizard e empresários ligados a tratamento precoce


A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado aprovou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário do empresário Carlos Wizard. Senadores dizem que o empresário é um dos líderes de um grupo de aconselhamento paralelo ao presidente Jair Bolsonaro (sem paralelo) sobre o enfrentamento da pandemia, que ficou conhecido como “gabinete das sombras”.

O colegiado também chancelou a transferência dos mesmos tipos de sigilo do presidente e da vice-presidente da Apsen Farmacêutica, Renato e Renata Spallici, do presidente da Global Gestão em Saúde e sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, e do sócio-administrador da Vitamedic Farmacêutica, José Alves Filho. 

A estratégia do grupo majoritário de senadores na CPI, formado por independentes e oposicionistas, é traçar um possível caminho do dinheiro, que partiria do aconselhamento a que o governo federal promovesse o uso de um suposto “tratamento precoce” de pacientes da covid-19 e seguiria até a suspeita de advocacia administrativa de agentes públicos para obter insumos e turbinar as receitas de determinadas empresas.

A Apsen é a principal fabricante de hidroxicloroquina no Brasil. Ao justificar seu requerimento, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), escreve que a quebra dos sigilos da cúpula da empresa visa apurar os esforços diplomáticos do Itamaraty junto ao governo da Índia para obter insumos para a farmacêutica expandir a fabricação do medicamento. A substância foi e ainda é recomendada por autoridades federais como parte do “tratamento precoce“, apesar de sua ineficácia para essa finalidade.

A Precisa Medicamentos intermediou a compra pelo governo brasileiro da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. Essa foi a única negociação para aquisição de imunizantes que não transcorreu diretamente com o fabricante.

Já a Vitamedic produziu 80% das unidades de ivermectina, outra substância ineficaz para tratar a covid-19, mas cujo uso é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e outras autoridades, fabricadas no Brasil em 2020.

Para Randolfe, a quebras dos sigilos do sócio da Vitamedic pode ajudar a CPI a “entender adequadamente a sua relação com o Presidente da República e o Ministério da Saúde, sobretudo no tocante ao aparente patrocínio administrativo de interesses não republicanos”.

Do Poder360.