terça-feira, 13 de abril de 2021

Prefeitura de Petrolina, comandada por filho do líder de Bolsonaro no Senado, é alvo da PF


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 13, uma operação, de nome Contrassenso, que mira a gestão do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB). Cerca de 150 policiais federais e auditores da Controladoria Geral da União (CGU) participaram da ação, que cumpriu 33 mandados de busca e apreensão, autorizados pela Justiça Federal da cidade localizada no Sertão pernambucano. 

De acordo com a PF, há indícios de irregularidades no fornecimentos de kit escolar entre os anos de 2015 e 2020, com dinheiro do Fundeb e em contratos firmados pela Secretaria de Educação de Petrolina durante a gestão de Miguel, que é filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo Bolsonaro no Senado. Os contratos sob suspeita somam cerca de R$ 20 milhões.

Ainda segundo a PF, as investigações apontam pagamento de possível propina, através de transferências bancárias em favor de terceiros, indicada por servidores investigados, além de demonstrar um frequente contato entre os servidores públicos e os líderes do grupo econômico, principalmente em atos referentes ao pagamento da prefeitura às empresas do grupo. 

A CGU realizou auditoria em parte das contratações, apontando evidências dos artifícios utilizados pelo grupo empresarial para burlar os processos licitatórios, em especial o uso de empresas de fachada criadas em nome de interpostas pessoas (laranjas).

As buscas estão sendo realizadas em sedes de órgãos da Prefeitura de Petrolina, bem como na Região Metropolitana do Recife e no estado de Minas Gerais. Os investigadores veem possibilidade do cometimento de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, falsidade ideológica e organização criminosa.

Miguel é prefeito de Petrolina desde 2017 e se reelegeu para o posto no ano passado. 

OUTRO LADO - Em nota, a prefeitura de Petrolina disse que “Firme em seu compromisso com a transparência, a Prefeitura de Petrolina (2017/2021) cumpre rigorosamente os ditames legais e tem feito todos os esforços necessários para contribuir com as investigações em curso, que se referem a fatos e contratos registrados desde 2015. Os documentos e materiais solicitados foram disponibilizados. A prefeitura mantém-se à disposição para prestar todos e quaisquer esclarecimentos adicionais”.

Também por nota, a assessoria do ex-prefeito de Petrolina, Julio Lossio, cuja gestão estão compreendida na operação, disse que “não tem como se manifestar sobre fatos que desconhece.”.

“Ainda não tivemos acesso às informações sobre a operação e, pelo que sabemos, nenhum membro da gestão passada foi procurada ou foi alvo da operação. No entanto, com base nas informações já divulgadas, podemos afirmar que a gestão do Ex-prefeito nunca teve qualquer relação com o Grupo Figueiroa”.

A nota prossegue afirmado que “Aliás, no ano de 2020, denunciamos a falsificação de um contrato, ainda no período da transição dos governos, envolvendo esse mesmo grupo. Encontramos documentos que comprovam que a assinatura de uma Ex-Secretaria de Educação do Município de Petrolina da nossa gestão foi falsificada com a finalidade de aderir a uma ata de registro de preços de uma licitação que aconteceu em Recife, no ano de 2015. Todo o contrato foi executado na atual gestão e não possui qualquer relação com a gestão anterior”. 

Fonte: A Tarde.