quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Morre Genival Lacerda, ícone da cultura Nordestina, em decorrência da covid-19

"É um cantor que não fica parado junto ao microfone, quando está cantando. Tem jogo de corpo, gesticulação e muita malícia, o que agrada inteiramente aos que assistem”. Essa foi a descrição que o Diario de Pernambuco, em 24 de abril de 1955, usou para explicar quem era um paraibano chamado Genival Lacerda pela primeira vez. Características que seguiram com músico até o final da vida.  

Os músicos Genival Lacerda e Zé Kéti, em um encontro no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Foto de fevereiro de 1988 — Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo/Arquivo

Somavam-se as roupas coloridas, chapeuzinho e a mão na barriga enquanto cantava e dançava, mania que incorporou ainda na Paraíba. A irreverência e o talento ficam na memória do público. Para a música, o “Rei da Munganga” deixou um legado para o forró, baião, xote e rojão. Lacerda lançou cerca 30 discos lançados, colecionou parcerias com nomes de expressão na cultura nordestina, como Dominguinhos e Marinês.

O cantor e compositor Genival Lacerda morreu aos 89 anos, no Recife, em decorrência de complicações da Covid-19, nesta quinta-feira (7). A informação foi confirmada pelo filho do artista, João Lacerda.

No dia 4 de janeiro, Genival Lacerda teve um piora no quadro de saúde, segundo o boletim divulgado pela família. Na quarta (6), a família havia iniciado uma campanha de doação de sangue para o cantor.

Em 26 de maio de 2020, Genival Lacerda havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC) e deu entrada no Hospital d’Ávila, na Zona Oeste da capital pernambucana. Recuperado, ele teve alta três dias depois de ser internado.

Genival Lacerda foi um dos grandes nomes do forró e, com carisma e irreverência, se tornou um ídolo popular. Conhecido por todo o Brasil durante 64 anos de carreira, era um símbolo da cultura do Nordeste.

O cantor e compositor nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 5 de abril de 1931. Chegou a trabalhar na cidade como radialista, mas fez a primeira gravação como cantor quando já morava em Recife, para onde se mudou em 1953. 

Genival gravou seu primeiro disco em 1956, um compacto duplo com "Coco de 56", escrito por ele e João Vicente, e o xaxado "Dance o xaxado", feito por ele com Manoel Avelino.

Ele gravou diversos álbuns e ficou conhecido pelo Nordeste como músico e radialista durante esta fase no Recife. Em 1964, se mudou para o Rio de Janeiro. 

O sucesso nacional foi consagrado mais tarde, em 1975, com Severina Xique-Xique, uma faixa do disco Aqui tem catimberê que fez Lacerda vender mais de 160 mil discos. O sucesso ficou marcado por forró malicioso, de duplo sentido, e porque não safado - uma característica que não é restrita à “nova geração” do forró eletrônico/estilizado. Nessa época ficou conhecido como o Rei da Muganga. Em 1987 gravou com grande sucesso o LP A fubica dela, pela RCA, com arranjos e regência de Sivuca.

Em seguida, vieram sucessos como "Radinho de pilha", "Mate o véio", "De quem é esse jegue", que consolidaram o estilo bem humorado do "seu Vavá", como também era conhecido.

O músico viveu no Rio durante o auge da popularidade do forró no Sudeste, e conviveu com outros artistas fundamentais do estilo como Dominguinhos e Luiz Gonzaga.

Com Jackson do Pandeiro, teve uma relação ainda mais próxima, mesmo sendo bem mais novo. A irmã de Jackson, Severina, foi casada com um irmão de Genival.

Desde os anos 90, voltou a morar no Recife. Nos últimos anos, não tinha novos sucessos nas rádios, mas manteve o ritmo de shows e o reconhecimento popular.

No final de 2017, recebeu no Palácio do Planalto a medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC). Na cerimônia, Genival tirou seu chapéu estampado de bolinhas ao passar diante do então presidente Michel Temer.


Fotos: G1 / Google.

Do Correio Brasiliense / G1-PE.