terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Covid mata livreiro Tarcísio Pereira

A Covid tirou a vida de mais um grande personagem da cultura e do humanismo pernambucano: o livreiro Tarcísio Pereira, 73 anos, eternizado pela Livro 7 e o bloco carnavalesco “Nois sofre, más nós goza". No ano passado, sua livraria completaria 50 anos se ainda estivesse funcionando.

Foi na mítica Livro 7 que funcionou na área central do Recife durante três décadas (além das filiais na Paraíba, em Alagoas e no Ceará) que o livreiro inovou o ofício e propiciou a tantos leitores momentos inesquecíveis com os encontros, seminários, lançamentos e festas que promovia semanalmente.

Mesmo se o encerramento das atividades - ocorrido de forma definitiva em 2000, em decorrência da instabilidade econômica pós-Plano Collor e do advento de novos modelos de livrarias em shoppings – foi sentida com muito pesar, a Livro 7 permanece, 20 anos depois, sinônimo de um espaço que fomentou a cena cultural local e formou gerações de leitores. Sem esquecer que ela foi motivo de orgulho para a megalomania pernambucana já que figurou como a "Maior livraria do Brasil" no Guinness Book, graças a seus 1.200 m².

Mas a trajetória da Livro 7 tem início muitos anos antes de atingir este recorde. Durante a década de 1960 Tarcísio trabalhou na livraria Imperatriz, onde se formou livreiro e decidiu abrir sua própria loja em 1970. A história da Livro 7 tem várias fases. A primeira durou dois anos, quando a livraria ficava localizada em uma galeria, era pequena, tinha uns 20m². 

Tarcísio esperava as outras lojas fecharem de noite para usar o corredor para fazer os eventos. Fez exibição de filmes de Super-8 de Celso Marconi, Jomard Muniz de Britto, Fernando Spencer. Em 72, alugou a loja ao lado e ampliou o espaço com uma porta entre as duas até que, em 74, o casarão da Sete de Setembro estava para alugar.


Foto: Reprodução / Google.

Do Blog de Magno Martins.