sábado, 17 de março de 2018

Universidade de Pernambuco oferece curso sobre 'golpe político' para debater impeachment de 2016


A Universidade de Pernambuco (UPE) vai oferecer em abril um curso de extensão para debater o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "Golpe político midiático e reflexos para a segurança do desenvolvimento social no Brasil" é o título da atividade extracurricular, que será ministrada no campus Nazaré da instituição, na Mata Norte. As inscrições começam na terça-feira (20), no próprio campus.

O curso é oferecido por um conjunto de professores de diversas áreas de conhecimento da universidade e é aberto ao público em geral. Ao todo, são dez encontros, reunindo temáticas como políticas educacionais, ascensão dos governos populares pelo "lulismo" e os impactos do processo de impeachment em pastas como a saúde e educação públicas.

Um dos organizadores da atividade, o professor de História Karl Schurster explicou que a disciplina surgiu a partir de uma demanda externa aos professores, de entender os processos políticos pelos quais passa o Brasil.

Schurster explica que o curso vai ser ministrado nos moldes das disciplinas oferecidas na Unicamp e na Universidade de Brasília, que foi criticado pelo ministro da Educação, Mendonça Filho.

"Tivemos uma demanda muito grande de estudantes que se dispuseram a discutir todo o processo. E, de forma alguma, a universidade pode se fechar a uma demanda da sociedade civil. O curso é aberto, sem limite de vagas. Se tiver um número grande de pessoas, fazemos no auditório. Se aumentar mais, fazemos no pátio", detalha.

As aulas ocorrerão uma vez por semana, no formato de seminário, com mesas redondas e palestras ministradas por professores da universidade e convidados. As inscrições podem ser realizadas no setor de Extensão do Campus Nazaré e a avaliação será realizada por frequência, que deverá chegar a, no mínimo, 75% do total de aulas.

Sobre as críticas do ministro da Educação, Karl explica que a intenção do curso é estabelecer uma conversa sobre o cenário político e criar estratégias, junto aos estudantes, de fortalecimento dos discursos sobre o papel da educação no contexto brasileiro.

"Somos um coletivo de professores que acredita que o impeachment foi, sim, golpe. É um processo muito complexo, mas não cabe ao Ministério da Educação tirar a autonomia intelectual garantida constitucionalmente à academia. O governo deveria ter algo mais importante para se preocupar que um curso de extensão de uma universidade", disse Karl.

Cronograma

11/4 - As Elites e o poder no Brasil, por Jair Santana

18/4 - Golpe de Estado como categoria analítica: um estudo sobre o caso brasileiro, por Pedro Peres

25/4 - Constituição “cidadã” de 1988: um sonho não realizado, por Gilda Araújo e Cleyde Ferraz

9/5 - Ascenção do governo popular: Lulismo e a construção de um “novo” país no campo socioeconômico, por Carlos André

16/5 - A imprensa e a construção narrativa do golpe contra o Governo Dilma Rousseff, por Carlos Bittencourt

23/5 - Austeridade Fiscal da EC-95 o golpe de 2016 no Sistema Único de Saúde (SUS), por Itamar Lages

30/5 - O desmonte das politicas sociais: impacto nas politicas afirmativas de gênero, da agricultura familiar e de inclusão social, por Gevson Andrade, Janaina Guimarães e Penélope Andrade

6/6 - Desmonte das politicas para educação e pesquisa – Parte 1 Impactos nos programas voltados para a Educação básica: uma análise da reforma do Ensino Médio e do Plano Nacional do Livro Didático, por Karl Schurster

13/6 - Desmonte das politicas afirmativas para educação e pesquisa – Parte 2 Impactos nos programas voltados para a Educação Superior (PIBID/PAFOR/CsF), por Ana Regina Marinho

20/6 - Analise de Conjuntura, por Luciana Coutinho e Gevson Andrade.

Fonte: G1 - PE.