sexta-feira, 26 de maio de 2017

Senador Armando Monteiro tem nome cogitado para suceder Temer


Os conflitos em Brasília deram ao comandante-em-chefe das Forças Armadas a última oportunidade de mostrar autoridade num governo que já acabou. A velocidade com a qual os protestos de ontem descambaram para o conflito contrasta com o ramerrão dos impasses que presidem as negociações para a substituição do presidente. É na administração de ritmos desconexos entre as expectativas da sociedade, os ritos judiciais e os consensos da política que Michel Temer valida a prorrogação de sua permanência.

O prazo de 30 dias para um laudo conclusivo do áudio do grampo das conversas entre o presidente e o empresário Joesley Batista deu tempo ao governo para tentar reagrupar forças no Supremo Tribunal Federal.

A prorrogação do jogo no Supremo leva os holofotes para o julgamento, pelo TSE, no dia 6, da chapa que elegeu Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. A saída parece honrosa para um governante investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça, mas Temer receia o juízo da primeira instância e negocia um novo pedido de vista no tribunal presidido por Gilmar Mendes.

A galeria de candidatos do colégio eleitoral, no entanto, seria mais reduzida se a plataforma de campanha estivesse reduzida a Lava-Jato e reformas. É o poder que o substituto de Temer terá na formatação da sucessão presidencial de 2018 que dificulta a formação de consensos.

Como dizem os questionários de pesquisa, "se a eleição fosse hoje" o candidato com mais chance de ser eleito seria o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A razão é simples. Foi ele o escolhido pela maioria dos 513 deputados que compõem esse colégio eleitoral formado por 594 delegados há pouco mais de três meses. Sua candidatura deixaria vaga a presidência da Câmara, valiosa moeda de troca na costura eleitoral.

Como a normatização da eleição indireta está em aberto, o Planalto aposta na demora para se votar uma lei complementar com as regras de elegibilidade - prazo de filiação partidária e de desincompatibilização de cargos públicos.

Como árbitro do jogo no Congresso, Maia está mais apetrechado para angariar votos do que o senador Tasso Jereissati, preferido do PSDB, ou de nomes que correm por fora, em busca de raias equidistantes de oposição e governo, como o senador Armando Monteiro (PTB-PE).

A indisposição de ala do DEM de se manter a reboque do PSDB vitamina a candidatura de Maia. É o temor dos tucanos de que o deputado, se eleito para o Planalto, queira disputar a reeleição em 2018, que dificulta o entendimento entre as duas legendas. Tasso leva sobre Maia a vantagem de estar fora da Lava-Jato, condição que não constrange os aliados do deputado. Se vai se buscar uma saída para o presidente da República por que não se encontraria também um jeito de livrar o segundo na linha sucessória dos mesmos constrangimentos?

A escolha de um nome de fora do Congresso dependerá da regulamentação da eleição indireta. Por ser filiado a um partido (PMDB) e não ocupar cargo público, Jobim não teria restrições a enfrentar, mas nomes como o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do ex-ministro Carlos Ayres Brito e da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, só se viabilizam com uma regulamentação pouco restritiva.

Contra Meirelles pesa ainda sua condição de ex-conselheiro da JBS. Se parece inexplicável que a ex-presidente Dilma Rousseff tenha deixado os rombos da Petrobras passarem por baixo de suas pernas na condição de conselheira da estatal, também carece de explicação que a JBS tenha comprado 1.829 políticos sem o conhecimento de seu conselheiro. Meirelles ainda embute o incômodo, que parece não ter atingido nenhum procurador, com o que pareceu uma disposição deliberada de Joesley Batista em poupar seu ex-executivo.

Ayres e Carmen Lúcia são vistos como alternativas para um Congresso disposto a fazer as pazes com a opinião pública. O risco é a ausência de traquejo político de ambos os tornarem reféns de um Congresso que tem uma oportunidade única de testar os limites dos seus algozes nas vicissitudes da política.

Fonte: Valor Econômico.