sábado, 20 de maio de 2017

Padre Marcelo Rossi, fenômeno da renovação da Igreja Católica, faz 50 anos


Antes de ser ordenado, em 1º de dezembro de 1994, e se tornar um fenômeno de comunicação da Igreja Católica, ao lançar, em 1998, o CD "Músicas para louvar o Senhor", padre Marcelo Rossi era um jovem de classe média como outro qualquer, irmão de Mônica e Marta e filho do bancário Antônio Rossi e da dona de casa Wilma Mendonça. Nascido em 20 de maio de 1967, em Santo Amaro, São Paulo, gostava de pizza, ouvia Chico Buarque, Legião Urbana e U2; era fã de filmes de artes marciais, como "Operação Dragão". Torcedor do Corinthians, teve dois namoros sérios e algumas aventuras. Para corrigir a cifose, que deixava suas costas arqueadas, fazia ginástica e, tomando gosto, formou-se em Educação Física em 1989, chegando a trabalhar como professor. O chamado da fé veio mais tarde, tendo se formado em Teologia, pela Faculdade Salesiana de Lorena, e em Filosofia, pela Universidade Nossa Senhora Assunção.

O lançamento da Polygram tornou-se campeão de vendas e popularizou-se como a "Aeróbica do Senhor", por incluir nas saudações um ritmo animado. Cantado nas missas, os louvores passaram a ser acompanhados por coreografias e palmas, convidando os fiéis à participação e ajudando o movimento carismático católico a atrair antigos e novos fiéis no Brasil, em meio ao crescimento do número de evangélicos de igrejas neopentecostais, além de denominações protestantes históricas.

O uso da mídia para pregar o Evangelho e aumentar o número de católicos está de acordo com o que propõe a Renovação Carismática Católica (RCC), movimento do qual o padre Marcelo é um dos representantes. A RCC propõe oferecer uma abordagem inovadora às formas tradicionais de doutrinação e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística da Igreja, mas sem desviar-se da doutrina católica. O uso, de maneira hábil, dos mais modernos recursos de comunicação transformou o padre Marcelo no responsável direto pelo retorno de milhares de fiéis aos templos católicos no final dos anos 90. Suas missas lotadas provocaram a busca de espaços cada vez maiores para abrigar o crescente número de fiéis. No dia 9 de abril de 2001, foi inaugurado o Santuário do Terço Bizantino, em São Paulo, com capacidade para cerca de 15 mil pessoas. Em 2004, seria apresentada a maquete do Santuário Mãe de Deus, antigo sonho do padre, com capacidade para 100 mil fiéis, inaugurado em 2 de novembro de 2012, conforme O GLOBO publicou no dia seguinte.

– As pessoas querem grandes espaços. Elas querem grandes lugares de oração. Uma vela ilumina, dez iluminam e cem mil velas iluminam muito mais – disse o padre Marcelo Rossi na ocasião. Seu sucesso na evangelização mostra números impressionantes: são mais de 11 milhões de discos vendidos, dois filmes, "Maria mãe do filho de Deus" (2003) e "Irmãos de fé" (2004), que atraíram milhões de espectadores; livros que atingiram grande sucesso editorial, como "Ágape", com mais de 10 milhões de exemplares vendidos, ou "Kairós" com mais de 2 milhões, além de programas de rádio, televisão, colunas em jornais, página no Facebook, presença constante em programas de grande penetração popular, como os de Xuxa, Faustão, Hebe Camargo, Gugu Liberato e Ratinho.

A capacidade do religioso de melhorar a audiência fez as emissoras disputarem sua presença. Nesse contexto cabe destacar o caso ocorrido em 7 de setembro de 2003, quando o programa "Domingo Legal", apresentado por Gugu Liberato, no SBT, mostrou uma entrevista com dois falsos integrantes da facção criminosa PCC. A dupla fez ameaças de morte a várias personalidades, inclusive ao padre Marcelo e ao então vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo. A farsa foi descoberta pela polícia e pelo Ministério Público. Os criminosos eram, na verdade, atores contratatos pela produção do programa. Gugu Liberato afirmou que não sabia da armação, mas o programa chegou a ficar fora do ar por duas semanas, por determinação da Justiça.

Mesmo tendo seu trabalho de evangelização reconhecido - recebeu do Papa Bento XVI o Prêmio Cardeal Vãn Thuân, em 2010, como Evangelizador do Novo Milênio -, padre Marcelo não é unanimidade, e muitos católicos mais tradicionais têm restrições a algumas de suas práticas. Padre Marcelo foi vetado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBBl) da missa solene comemorativa dos 500 anos da presença da Igreja Católica no Brasil, realizada em 22 de abril de 2000, em Porto Seguro, na Bahia. O veto teria ocorrido devido à ligação do padre Marcelo com o RCC.

Alguns de seus posicionamentos já o envolveram em polêmicas. Em 1998, Marcelo Rossi foi duramente criticado por entidades de defesa dos direitos dos homossexuais, após ter declarado no programa "Fantástico", da Rede Globo, que a homossexualidade era uma doença que precisava ser erradicada. Depois da repercussão negativa de sua entrevista, padre Marcelo declarou que a edição do havia distorcido o que ele dissera, acrescentando que se a homossexualidade fosse uma doença, não poderia condená-la, mas ter compaixão pelos homossexuais.

Outra polêmica ocorreu em 2001, quando o padre foi demitido da Rádio Católica América, de São Paulo, onde apresentava "Momentos da Fé com o Padre Marcelo Rossi", programa líder de audiência no horário. A demissão ocorreu após o religioso reclamar, no ar, da campanha do Ministério da Saúde, que orientava a população a usar camisinha para evitar as Doenças Sexualmente Transmissíveis. Na opinião do padre, a propaganda não deveria ter sido veiculada no intervalo do seu programa, por ser contrária aos preceitos da Igreja.

Após tanto sucesso, o religioso enfrentou uma fase difícil, tendo ocultado por um bom tempo que sofria de depressão. Após recuperar-se, o padre resolveu, então, tornar o assunto tema do livro "Ruah", lançado em 12 de outubro de 2016, no qual relata como superou uma depressão e aproveita para dar dicas de uma vida saudável, com mudanças na alimentação, caminhadas e orações.

Fonte: O Globo.