quarta-feira, 31 de maio de 2017

Delação de ex-executivo da Andrade Gutierrez cita senador Fernando Bezerra Coelho e Aldo Guedes


A divulgação do termo de colaboração do ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez, Rodrigo Ferreira Lopes da Silva, revelou novas complicações para o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e o ex-presidente da Copergás, Aldo Guedes. Segundo a acusação, houve a formação de um cartel para construção de obras em portos públicos brasileiros que envolveu o Complexo Portuário de Suape.

O empresário afirmou que houve pagamento de 5% de propina aos agentes públicos como contrapartida para as obras de recuperação do Píer de Granéis Líquidos (de custo de R$ 15,5 milhões, com recursos do Estado e da União) e também o Píer de Granéis Líquidos 3 (avaliado R$ 504,8 mi). A primeira tinha a Andrade Gutierrez como única detentora e a segunda integrava o consórcio formado pela empreiteira junto com a Odebrecht e OAS. Essa última chegou a ser alvo de polêmica no ano passado devido medida cautelar expedida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinando a suspensão do contrato. O tribunal questionou a dispensa de licitação na elaboração do projeto e a existência de sinais de erosão na obra.

Os pagamentos teriam sido feitos em espécie e por meio de caixa 2 em forma de doação eleitoral ao Diretório Nacional do PSB.

Também foi citada como alvo de propina na delação a obra de reforço dos cabeços do porto, feita pelo consórcio da Andrade Gutierrez e OAS. No entanto, o executivo apenas garante a participação de Aldo Guedes na negociação e não soube confirmar se Fernando Bezerra Coelho também teria se envolvido.

A defesa do senador Fernando Bezerra Coelho informou que não se manifestará sobre as delações até ter conhecimento de todo o conteúdo da colaboração. Contudo as acusações foram repudiadas e consideradas sem fundamento. "Todos os contatos do senador com a empresa citada foram absolutamente institucionais e as contas do senador, relativas à gestão dele à frente do Porto de Suape, entre 2007 e 2010, aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado", afirmou. Advogado de Aldo Guedes, Ademar Rigueira disse que somente se pronunciará quando tiver acesso aos autos e provas do processo. A Direção acional do PSB não se pronunciou.

Fonte: Folha de PE.