terça-feira, 3 de janeiro de 2017

"A gente aqui sofre demais", diz moradora do Loteamento Baraúnas. Comunidade será primeira a receber visita da prefeita Ana Célia e secretários



A prefeita de Surubim, Ana Célia Cabral (PSB) inicia na tarde desta terça-feira (03) uma série de visitas aos bairros mais carentes do município. A ideia é levar o secretariado para conhecer de perto a realidade vivenciada pelas pessoas mais simples, muitas vezes longe da assistência das políticas públicas. 

As visitas também tem como objetivo levar o governo às comunidades da periferia, ouvir as demandas das pessoas, nortear possíveis ações e aproximar as pessoas da gestão. 

"Com certeza, vou a todas as comunidades de Surubim. Não pretendo governar apenas dentro do gabinete, pois se não estivermos ouvindo e sentindo o sofrimento do povo, com certeza não iremos acertar", afirma a prefeita à nossa reportagem.

VISITA : Prefeita Ana Célia e secretários estiveram na comunidade na tarde desta terça
FOTOS (visita comitiva) / Divulgação


O Loteamento Baraúnas será a primeira a receber a comitiva da prefeita, nesta terça à tarde. Nossa reportagem se antecipou e esteve na comunidade agora pela manhã, ouvindo os moradores. Por lá, as demandas são semelhantes aos loteamentos vizinhos, a exemplo do Nova Surubim e Dorgival Leal, também percorridos por nossa reportagem. Todos, no bairro do Coqueiro, um dos mais populosos e carentes do município.  

SAÚDE e SEGURANÇA - a oferta dos serviços de saúde e a segurança no bairro preocupam a dona de casa Lúcia França da Silva, moradora do Baraúnas há quase uma década. 

"Tem o posto de saúde, mas cadê o médico, cadê o dentista para atender a gente? Cadê o remédio? Não tem. Para ir no médico no Centro da cidade é muito difícil, a gente não tem nem o dinheiro do transporte nem o do remédio quando 'tá' doente. Então é importante ter tudo isso aqui perto para atender o povo, a gente precisa muito. É bom também ter mais segurança, aqui todo mundo se tranca sedo em casa com medo de ser roubado", afirma a dona de casa Lúcia de França da Silva.

ÁGUA - a dona de casa Rosália Maximiniano sofre com a falta d'água na torneira. Os moradores da rua em que ela mora se cotizaram e compraram os canos para terem acesso à água na torneira, mas não deu certo. 

"Foi a gente que comprou os canos, mas a água não tem pressão para chegar nas casas, não sei bem explicar. Em muitas casas do bairro chega, mas na minha rua não. Gostaria que tivesse água 'pra' todo mundo em Surubim, que acabasse com esse negócio de chegar água em uma rua e em outra não", demanda a dona de casa.

EMPREGO e SAÚDE - o servente de pedreiro Amaro José dos Santos, 28 anos, há mais de um ano sobrevive apenas de 'bicos'. Pai de uma criança de um ano, também se preocupa com os serviços de saúde no bairro.

"Aqui a gente precisa mesmo é de emprego. Eu estou parado há mais de ano, trabalho fazendo bico, quando aparece. Como pai também vejo que precisa melhorar o posto [de saúde]. Quem tem criança se preocupa com a saúde, a gente precisa do médico por perto", afirma.

SANEAMENTO - dona Josefa Marques está com um problema sério na porta de casa: o esgoto, correndo a céu aberto.

"Esgoto a céu aberto prejudica todo mundo. Esse daqui da rua já foi feito duas vezes por uma empresa que está por aqui trabalhando. Mas eu pergunto: esse serviço 'tá bom' assim? Tem muito esgoto para ser feito por esses loteamentos daqui, Baraúnas, Nova Surubim e Dorgival Leal. Isso traz muito problema, não tem como aguentar essa situação", desabafa.  

CALÇAMENTO -  já a dona de casa Natalícia Moraes da Silva, destaca que o calçamento melhora muito a vida de quem mora na comunidade. "A rua onde moro, ali do outro lado, foi calçada, e melhorou muito 'pra' gente. Mas o dia passo aqui, na casa da minha mãe, que a rua não é calçada, e é muito ruim. A poeira incomoda demais. Aqui, se fizer esses calçamentos, vai melhorar a vida da gente um bocado", acredita a moradora.

CALÇAMENTO e EMPREGO - Dona Édna Sérgia é viúva e mãe de um casal de jovens, 20 e 18 anos. Não recebe pensão do marido e sobrevive apenas com auxílio do Bolsa Família, mas não perde a esperança. Sonha em morar em uma rua calçada e que o filho mais velho tenha uma oportunidade de trabalho. 

"A gente aqui sofre muito. Já me deram cesta básica, mas eu tive vergonha de ir buscar. Queria mesmo que meu filho conseguisse um emprego. Ele me ajudava quando trabalhava numa fábrica de bolos, mas veio a crise e ele ficou desempregado. Aqui na rua, a gente precisa de calçamento, já prometeram muito, mas a rua 'tá' aí, todo mundo pode ver. Quero ver a pedra chegar aqui na rua e os 'homens' trabalhando. Acho que esse ano, a vida vai melhorar" , diz esperançosa.

Assim, as principais necessidades das comunidades que a prefeita leva os secretários para conhecerem 'in loco', a partir desta tarde, podem ser resolvidas com mais eficiência e rapidez, se a situação das pessoas e do bairro 'tocarem' a sensibilidade dos técnicos, secretários municipais. Além de importante, ouvir as pessoas expõe a realidade que os gabinetes não conseguem enxergar nos números, e serve de estímulo para tornar as soluções mais urgentes, numa velocidade próxima da que exigem as demandas da sofrida população. 

exigem as demandas da sofrida população. 


  





 









Fotos e Reportagem: Alberico Cassiano.