quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

EM CASA: Ao ser chamado de golpista, no Palácio das Princesas, novo ministro da Cultura critica manifestantes: "é preciso ter educação"

O ministro da Cultura, Roberto Freire, pediu educação e respeito dos manifestantes e soltou "eu não votei no presidente Temer"
O novo ministro da Cultura, o pernambucano Roberto Freire (PPS), foi chamado de “golpista” por manifestantes, na manhã desta quinta-feira (22), no Palácio do Campo das Princesas. Os manifestantes estavam acompanhando uma solenidade da secretaria estadual de Cultura de Pernambuco, administrada pelo PCdoB. No início do discurso, Freire citou a crise que o país estava vivenciando. “O Brasil está nessa situação e tem responsáveis e estão tendo que responder, inclusive, com a justiça”, disse para logo depois ouvir os primeiros gritos de “golpista” em referência ao seu apoio ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A solenidade tratava da sanção da lei que muda de três para seis os agraciados com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco e contou com as presenças do governador Paulo Câmara (PSB), cujo partido apoiou o impeachment, além de lideranças do PCdoB, como a deputada federal Luciana Santos, um das grandes defensoras da ex-presidente. Ao justificar sua participação no governo, que é tratado como “golpista” pelos manifestantes, Roberto Freire lembrou do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, no qual votou a favor e logo em seguida participou como líder do então governo de Itamar Franco (PPS).
“Com muita honra, entendendo a responsabilidade de quem tem de sair dessa crise, que não foi de responsabilidade nossa. Eu até mesmo não votei no atual presidente da república (Michel Temer)”, justificou. “Eu tenho a responsabilidade de também defender o governo que nós, que votamos pelo impeachment, construímos”, completou. Ao notar que a justificativa não estava surtindo efeito, Freire chegou ao ponto de apelar para o público que o chamava de “golpista” que todos estavam presentes na sede do governo de Pernambuco e que, por isso mesmo, era preciso ter educação.
“Essa é a responsabilidade de um palácio do governo, é a educação. Educação tem que primar e a cultura também. Isso é um palácio de respeito, façam como eu que estou respeitando”, disse ao se referir aos que passaram pelo governo, como os ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos, ambos aliados do PPS, partido de Freire. Apesar dos poucos gritos que o tratavam como "golpista", Roberto Freire também foi alvo de aplausos do público que estava presente no Salão das Bandeiras, onde aconteceu a solenidade.
Fonte: Diário de Pernambuco.