quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Lula faz apelo por acordo, e PT teme debandada do partido


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta quinta-feira (10), novo apelo por um acordo para eleição interna do partido. O gesto de Lula encerrou tensa reunião sobre o formato de votação do comando partidário, marcada até por ameaça velada de desfiliação partidária.

Secretário de formação do PT e representante da esquerda do partido na Executiva, Carlos Henrique Árabe lançou uma ameaça velada, afirmando que "haverá consequências" caso não exista um debate sobre o modelo de votação.

Hoje no comando do PT, a corrente CNB (Construindo o Novo Brasil) entendeu a declaração como ameça de deandada. Com maioria na reunião do partido, a tendência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça derrotar a esquerda no voto.

A CNB quer que a eleição ocorra em votação aberta nos municípios para montagem do colégio que elegerá o presidente da sigla. Já a tendência mais à esquerda defende a realização de congressos na primeira e segunda instâncias.

Após intervenção de Lula, presente na reunião, a CNB concordou que escolha do presidente do PT ocorra em congresso.

AMEAÇA - questionado sobre a ocorrência de ameaças, o deputado Reginaldo Lopes (MG) disse que houve "de tudo" na reunião. O tesoureiro do partido, Marcio Macedo, entendeu o recado e reagiu, dizendo que não temia ameaças e estava disposto a assumir as consequências.

O secretário-geral do partido, Romênio Pereira disse que alguns parlamentares usam o impasse para justificar a saída do PT. "Sabe a música do Tim Maia: 'me dê motivo'", ironizou Romênio.

Líder da corrente O Trabalho, Marcus Sokol lembra sempre ter defendido a votação em congresso. Mas afirmou não aceitar que o debate sirva de pretexto para saída do partido. Diante do impasse, Lula afirmou que, como não chegavam a um acerto, as tendências deveriam se entender.

Fonte: Folha de São Paulo.