quinta-feira, 23 de junho de 2016

Empresário foragido da Operação Turbulência, encontrado morto, pode ter se matado


A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco trabalha com duas linhas principais de investigação para esclarecer a morte do empresário Paulo Cesar Morato, achado em um motel de Olinda, no Grande Recife, na noite de quarta-feira (22): suicídio ou óbito por causa natural.  As informações foram repassadas na manhã desta quinta-feira (23), durante entrevista coletiva, na sede da secretaria, na região central do Recife.
Morato era considerado foragido pela Polícia Federal, que investiga a sua participação em um esquema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro que pode ter movimentado R$ 600 milhões. Ele era um dos alvos da Operação Turbulência, deflagrada na terça-feira (21), em Pernambuco e em Goiás, que prendeu quatro empresários no Recife e apurou também a ligação entre a compra do avião do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) e empresas de fachada.
Ao falar sobre a morte de Morato, o secretário em exercício de Defesa Social, Alexandre Lucena, no entanto, não descartou outras possibilidades. “Uma pessoa corpulenta, de 48 anos, gordo. Ele já tinha tentado suícidio, tomava remédios. Então, a morte pode ter sido natural ou suícidio. Ele deve ter passado mal quando chegou. Essas são as duas principais linhas de investigação, mas não descartamos a possibilidade de homicídio”, afirmou o secretário.
Também participaram da entrevista o chefe da Polícia Civil, Antônio Barros, e a gerente-geral da Polícia Científica, Sandra Santos.
De acordo com o secretário em exercício, no dia da morte de Morato, os policiais apreenderam o carro da vítima. Nele, encontraram uma caixa com vários objetos, entre eles sete pen drives, três celulares, óculos e relógios de grife e remédios, além de documentos, cartões, cheques em branco e 53 envelopes de depósito bancário vazios.
Segundo Alexandre Lucena, os medicamentos encontrados com Morato são usados para doenças como hipertensão e diabetes. "Não são para quem quer se suicidar. A gente não pode trabalhar com conspiração, mas com dados. Queria dar a coletiva com o resultado da perícia. As pessoas especulam muito", declarou, ressaltando que ainda não saíram resultados periciais.
Na coletiva, a SDS também tentou explicar uma polêmica surgida no início da manhã desta quinta. Uma perícia complementar no motel chegou a ser anunciada, mas não foi autorizada. De acordo com a pasta, a delegada responsável pelo caso, Gleide Ângelo, não teria colocado em seu relatório a necessidade de continuar a isolar o local. Esse fato será alvo de apuração administrativa.
A cúpula da secretaria também falou que outros exames serão feitos para tentar esclarecer a morte do empresário. “Foram solicitados testes toxicológicos e histopatológicos. Eles podem demorar até dez dias para sair. Nesse período, o corpo ficará no Instituto de Medicina Legal”, afirmou Sandra Santos.


Causa indefinida - O médico legista Marcos Justino, do Instituto de Medina Legal (IML) do Recife, informou, na manhã desta quinta-feira (23), que ainda não foram identificadas as possíveis causas da morte de Paulo Cesar de Barros Morato. "Existe a possibilidade de ele ter ingerido veneno ou ter sido envenenado. Não posso afirmar que houve suicídio, mas também não posso negar".
Justino declarou que o corpo, ainda não reconhecido oficialmente por parentes, ficará retido no IML por um prazo de até dez dias. Isso é uma medida preventiva, uma vez que foram solicitados vários exames para tentar evidenciar os motivos do óbito.
“Foram pedidos testes toxicológicos e de coração para saber o que matou esse senhor.  O corpo ficará aqui no IML para facilitar a realização de mais exames, se for preciso. Poderemos ter que realizar contraprovas ou testes adicionais”, afirmou.


Imagens - Após ver imagens das câmeras de segurança do motel em Olinda onde Paulo Cesar de barros Morato foi encontrado morto, o advogado do estabelecimento, Higínio Luís Marinsalta, afirmou que o empresário entrou sozinho no local e nenhuma outra pessoa chegou depois dele.
Morato teria chegado ao motel por volta das 12h de terça-feira (21), quando foi divulgado o balanço da Operação Turbulência pela Polícia Federal. Ele ficou dentro do quarto por cerca de 30 horas. “Ele não pediu absolutamente nada. Depois que a polícia entrou no quarto, a gente soube que o único consumo dele foi uma água”, conta Marinsalta.
A polícia foi acionada por funcionários do estabelecimento. O corpo não tinha sinais de violência. Ele foi encontrado em cima da cama, junto com os documentos, R$ 3 mil e um relógio avaliado em R$ 10 mil. O quarto onde a vítima estava hospedada foi fechado para análise de peritos na manhã desta quinta-feira (23).
O estabelecimento funciona normalmente. O carro do empresário foi encaminhado para o Departamento do Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com a polícia Federal, um agente vai acompanhar o caso e, apenas se for constatado que as circunstâncias da morte têm ligação com a Operação Turbulência, a PF pode entrar nas investigações.  A advogada do empresário, Marcela Moreira Lopes, afirmou que ele já havia tentado suicídio anteriormente.
Fonte : G1 / Fotos: Whatssap.