quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Polícia detalha nomes e esquema de médicos e profissionais de saúde presos no Agreste

Reprodução TV 

Uma quadrilha extremamente organizada que ganhava dinheiro ilegalmente em cima da dor e da espera de pacientes do interior. A polícia Civil prendeu oito pessoas no Agreste do estado. A maioria funcionários do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru. A equipe médica cobrava para apressar cirurgias que muitas vezes nem eram necessárias. O esquema de corrupção pode ter extorquido até R$5 milhões de pacientes necessitados.

As equipes da polícia civil começaram a agir no início da manhã desta quinta-feira. Foram nove mandados de prisão, dezesseis de busca e apreensão nos municípios de Caruaru, Agrestina, São Caetano, Tacaembó e no Recife. A operação foi batizada de Hipócrates, uma referência ao grego considerado pai da medicina, que viveu no ano 300 antes de Cristo.

Dez suspeitos foram presos e levados para penitenciárias em Caruaru e Buíque. A polícia civil conseguiu provas contra todos eles de envolvimento nos crimes de corrupção, tráfico de influência, lesão corporal. De acordo com as investigações, o modo de agir da quadrilha era desumano. Eles cobravam dinheiro para apressar cirurgias dentro de um hospital público e muitos teriam ficado milionários com o  esquema. Segundo a polícia, o líder da quadrilha era Tiago Manoel da Silva, chefe da emergência do Hospital Regional do Agreste (HRA).

"Era uma organização coordenada pelo Tiago. Ele mandava que os técnicos fizessem a primeira abordagem. A partir dessa primeira abordagem, depois de um tempo de demora de atendimento, Tiago coordenava com os médicos que aceitavam esse tipo de prática. Não era a maioria, mas os que aceitavam marcava mcirurgia tanto no Hospital Regional quanto na rede particular, cobrando pelo procedimento", explicou o delegado Eric Lessa.

O secretrário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, também se manifestou sobre caso. Para ele, trata-se de um "fortíssimo desvio de conduta e com agravante maior ainda: essa organização ele se aproveitava da dor desses pacientes, do desespero das famílias para conseguir valores na casa de dezenas de milhares de reais para realizar cirurgias que eram de obrigação deles".

As investigações começaram há quatro meses. Pelo menos seis pacientes já denunciaram os médicos Pablo Tiago e Bartolomeu Bueno Motta. Este último tinha em uma das contas bancárias mais de R$2 milhões, dinheiro que a polícia vai investigar de onde veio. Os outros presos eram atendentes da emergência ou aplicadores de gesso. Na casa de Claudomiro Martins da Silva, que trabalhava no HRA e também era vereador de Tacaimbó, os policiais apreenderam carimbos e um revólver calibre 38 com munição. Sete dos oito presos são funcionários do Hospital Regional do Agreste.

Dependendo do tipo de cirurgia, a quadrilha extorquia dos pacientes valores que iam de quatro até R$12 mil Um dos suspeitos permanece foragido: Jameson Luiz da Silva, o "Gianechini", que também agia abordando os pacientes. A polícia pede que outras vítimas da quadrilha façam denúncias. "Se alguém foi vítima dessa quadrilha, o pedido que eu faço é que procure a Delegacia de Caruaru ou delegado Eric Lessa. Nós vamos tomar os depoimentos de todas as pessoas para entender a real extensão desse crime", acrescentou o chefe de Polícia Civil, Antônio Barros.


Fonte: Diário de Pernambuco.