terça-feira, 25 de agosto de 2015

"Tinha recursos próprios", diz advogado da "prefeita ostentação"


O advogado Carlos Sérgio de Carvalho, que defende da prefeita de Bom Jardim (MA), Lidiane Leite (PRB), afirmou que ela tem recursos próprios para justificar a vida de luxo que vive. Segundo ele, o salário de R$ 12 mil da prefeitura, os bens deixados pelo ex-marido e um "namorado rico" explicam a qualidade de vida da prefeita.
Lidiane está foragida desde o último dia 20, quando a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Éden, que investiga denúncias de desvio de recursos destinados à merenda escolar, reforma e construção de escolas no município. A defesa recorre da decisão.
Na operação, foram presos o ex-marido dela e secretário de Assuntos Políticos, o fazendeiro Humberto Dantas dos Santos, e o ex-secretário de Agricultura Antônio Gomes da Silva.
Segundo o advogado, a repercussão do caso é injusta. "O Brasil está fazendo linchamento, chamando-a de 'prefeita ostentação', mas ela tinha recursos próprios para isso. Ela tem o salário que é absolutamente suficiente para ter essa qualidade de vida. O único bem que ela tem é um carro popular", disse ele.
Carvalho explica ainda que Lidiane era casada com "um homem bilionário" e, antes de ser prefeita, já andava em carros de luxos e tinha uma vida "confortável". "O ex-marido dela tem todos aqueles bens, são carros caríssimos, mas ela só tem um carro popular. Ele é fazendeiro e, com a união estável, vivia numa situação financeira melhor do que a de origem da família dela", argumentou.
Em 2012, Lidiane declarou à Justiça Eleitoral que não possuía bens. Porém, nas redes sociais, Lidiane costumava esbanjar riqueza. Ela postava fotos de viagens, festas, carros e roupas caras. Em uma das fotos, aparece pilotando uma moto aquática.

Para o advogado, muitas vezes, são postadas fotos de "momentos especiais", sem que seja uma ostentação de bens. "O atual namorado dela, com quem está há quatro meses, tem condições financeiras boas. Ele é um dos jovens mais ricos do interior do Maranhão. Numa foto que aparece ela em um jet-ski, é dele", diz.
Lidiane responde a pelo menos oito ações civis na Justiça do Maranhão desde 2013, quando assumiu o mandato. O MP-MA (Ministério Público do Maranhão) diz que os alunos das escolas municipais eram dispensados mais cedo das aulas por falta de merenda. Também há queixas de falta de transporte escolar.

'Beijinho no ombro para os recalcados'

Em uma postagem no Instagram, a prefeita diz a uma seguidora: "Antes de ser prefeita, eu era pobre, tinha uma Land Rover. Agora estou numa SW4 [automóvel cujo modelo mais simples custa a partir de R$ 130 mil]. Devia era comprar um carro mais luxuoso porque graças a Deus o dinheiro está sobrando".
Para a mesma seguidora, ainda disse: "Eu compro o que eu quiser, gasto sim como eu quero. Não estão nem aí para o que acham. Beijinho no ombro para os recalcados".
No discurso de posse, em 2013, Lidiane prometeu fazer uma "mudança em Bom Jardim" porque, durante a campanha, havia conhecido a "triste realidade" da população carente. Ela também destacou que iria oferecer melhor educação para as crianças.
"Iremos trabalhar junto a este povo tão carente e tão sofrido. Deus sabe o coração que eu tenho, que nesses quatro anos quanto irá dar certo, que Bom Jardim irá para frente, que Bom Jardim irá para um futuro melhor. Que nós teremos mais educação para as nossas crianças. Faremos valer a vontade do povo, foi o povo que me elegeu e é para o povo que eu vou trabalhar", disse na ocasião, emocionada.
O advogado de Lidiane negou que a prefeita tenha participado de qualquer esquema que a beneficiasse por verbas municipais. "Não há qualquer prova de que houve desvios de recursos públicos. O que há são alguns pagamentos de diárias, de R$ 800, R$ 1.000, que foram de viagens justificadas que ela fez. Ela é uma jovem responsável. Qualquer erro que o governo tenha cometido, ela vai responder, mas todo mundo tem o direito de ampla defesa, que não foi dado a ela", critica o advogado.
A defesa da prefeita afirma que o mandado de prisão contra ela é "desnecessário" porque ela "não atrapalhou as investigações". "O mandado não teve fundamentação sólida. Não houve ameaças, nada foi individualizado e ela não pode ser punida sem ampla defesa", destacou.
Carvalho disse que já protocolou recurso contra o mandado de prisão e aguarda o resultado. Mesmo assim, diz que a apresentação da prefeita à superintendência da PF em São Luís pode acontecer a qualquer momento.
"Ela está em uma situação de absoluto desconforto, com depressão e assustada com toda a situação. Ela está presa porque não pode sair de onde está. A ansiedade e a angústia se abatem sobre ela, que tem consciência da responsabilidade perante ao município", afirmou.

Portal UOL.